Tuesday, April 03, 2007

 
Temos um vinculo com a sociedade. Sabemos ou intuimos a priori que é ( quase) inevitável viver fora de um contexto comunitário. A sociedade não é um organismo inactivo e por isso vai sofrendo renovações que as pessoas achem convenientes para poder progredir na sua desenvoltura. O cerne da questão que trago para aqui é a seguinte: se outrora a submissão a entidades patronais era muito visível pelas claras distinções de escolaridade, actualmente, essas distinções são mais ténues. Há fornadas de milhares de jovens que saem por ano para o desemprego a julgar que já não podem ser empregados de limpeza ou serventes de pedreiros. Ora, e porquê? A verdade é que esta geração está a aprender a não ser submissa, é-lhes ensinado nas escolas que a igualdade de direitos é para pés descalços e para pés calçados.
O respeito, é dito, que tem de ser multilateral e as distinções de cargos servem apenas para organizar um espaço, cuja autoridade se faz per se nas distinções salariais e nas funções de cada elemento. Mas a verdade, é que a entidade patronal que ainda reside no país está acostumada a submissão, falta de opinião, falta de participação de todos os elementos que compõem determinado espaço.
Na verdade, a submissão existe desmembrada de tudo o infra mencionado, existe nos sonhos que não são concretizados, na impaciência de subsistir em alguma coisa... assim assim, ou mais ou menos, suportável. Existe em nós que queremos falar o que pensamos, com ou sem razão, e não o fazemos porque corremos sempre o risco de sermos penalizados por isso. É ditadura ou não?!Não podemos ser quem somos na verdade, não podemos falhar sequer, e quando podemos, é porque já somos patrões de alguma coisa, ou será de coisa alguma?!
É cansaço do cansaço, é estar cansada do supremissíssimo cansaço. Cansaço. Um cansaço desproporcional aos sonhos.

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